A economia brasileira e o setor elétrico: entenda a correlação que promete investimentos de trilhões e mais de 5 milhões de empregos

Não é segredo que o setor elétrico é de extrema importância para a infraestrutura do país, uma vez que é ele o responsável por assegurar o bem-estar da sociedade. O tamanho dessa importância fica óbvio, por exemplo, em situações quando o fornecimento de energia é, por ventura, cortado. Além de tudo, é um setor estratégico e de grande impacto positivo para a economia brasileira.

Neste artigo vamos abordar quais as correlações entre a atividade econômica e o setor de energia elétrica e os seguintes aspectos:

O impacto do setor elétrico na economia

Especialistas explicam que existem necessidades de curto e longo prazo que explicam o impacto do setor elétrico na economia.

No curto prazo, a correlação se dá quando no quanto a economia pode afetar o consumo da energia de forma, nem sempre, flexível. Na outra ponta, a necessidade do setor é ampliar a capacidade produtiva para manter o equilíbrio dinâmico entre oferta e demanda de energia elétrica.

Conforme Nivalde de Castro, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL) e Emílio Hiroshi Matsumura, especialista em ciências econômicas, duas características técnicas e econômicas são imprescindíveis para entender a dinâmica do setor elétrico, sendo elas: a demanda e a oferta de energia.

Na oferta de energia, a trajetória de crescimento depende de vários fatores distintos – o mais comum é associar o aumento de médio e de longo prazo à performance do Produto Interno Bruto (PIB). 

Já a oferta de energia elétrica composta pelos segmentos de geração e transmissão, exigem investimentos altos, envolvendo obras complexas e de longo prazo de maturação.

Nesse sentido, esse é um dos motivos pelos quais as companhias elétricas de capital aberto – ou seja, aquelas que têm ações sendo negociadas na Bolsa de Valores – são uma das preferidas dos investidores.

Elétricas são requisitadas por investidores da Bolsa

De acordo com Louise Barsi, filha de Luiz Barsi, o maior investidor pessoa física da Bolsa no Brasil avaliou o papel do investimento em elétricas, como “extremamente resiliente”. Isso porque existem empresas que operam com muita volatilidade dependendo de fatores que podem ser frequentes, o que não se vê acontecendo entre as elétricas.

Outro motivo que agrada os investidores são os dividendos. De acordo com apuração do InfoMoney, só em 2023, as empresas do setor elétrico pagaram R$ 21,2 bilhões em dividendos.

Leilões e empregabilidade

Os leilões de energia tem uma responsabilidade muito importante na redução das contas de luz da população. São eles que garantem a contratação de energia mais barata e eficiente. Nesse sentido, existe um planejamento que se estende até 2027, conforme divulgado em junho deste ano pelo Ministério de Minas e Energia (MME). No dia 6 de dezembro de 2024 começas os Leilões de Energia Existente A-1, A-2 e A-3.

Os leilões têm como objetivo estabelecer contratos com início em janeiro de 2025 (A-1), janeiro de 2026 (A-2) e janeiro de 2027 (A-3), com um prazo de suprimento de dois anos. O objetivo dos leilões é contar com uma energia mais barata para os consumidores, diante do cenário de sobre oferta e de baixos preços.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou que a Portaria Normativa, publicada no Diário Oficial da União (DOU), traz os detalhes sobre como esses leilões irão acontecer. No documento ficam estabelecidos produtos por quantidade, os quais serão negociados Contratos de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado (CCEAR), para qualquer fonte.

A proposta é que os contratos não tenham reajustes de preço durante sua vigência, ao contrário do que era feito antes. O objetivo, agora, é alinhar os preços com as práticas de mercado, especialmente para contratos de curto e médio prazo.

Segundo Silveira, essas arrematações são muito importantes para garantir o suprimento energético de qualidade para a população, “refletindo ainda em menos custos na conta de luz das brasileiras e brasileiros.”

Entrando no mérito da correlação entre a economia e o setor elétrico, o ministro de Minas e Energia disse ainda que seguirão sendo realizados trabalhos para que, no Brasil, o setor elétrico tenha um ambiente que favoreça os negócios, com diminuição de custos e segurança jurídica.

No Relatório de Gestão do MME referente a 2023, Silveira sinalizou que, em 10 anos, mais de R$ 2 trilhões de investimentos no setor elétrico brasileiro serão realizados. No quesito empregabilidade, o ministro destacou que mais de 5 milhões de empregos serão gerados no período.

Energia limpa

A energia limpa ganha cada vez mais notoriedade e, cada vez mais sustentabilidade.

Nesse sentido, a CEO da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou em sua primeira entrevista após assumir o cargo que, na sua gestão, estará mantido o interesse da petroleira em fazer investimentos em energia renováveis, conforme previsto no Plano Estratégico até 2028.

“A gente tem tradição nesse ramo (energia limpa), nossa matriz é renovável. Refuto que a energia renovável dê prejuízo, o mundo quer isso.”

Chambriard disse ainda que o interesse em renováveis vem de uma lógica comercial em um mundo que mira a neutralidade em carbono (net zero).

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